Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

1932






Em 1932, o "Diário de Notícias" publicou uma série de artigos sobre os Açores.
Achei interessante (claro!) a parte respeitante às Lajes, e transcrevo boa parte do texto.




“A linda vila das Lages do Pico está situada à beira-mar, a sudoeste da Ilha do Pico.
É a mais antiga da Ilha e sede do concelho do seu nome, que é o mais populoso e também o mais importante pela fertilidade dos seus campos que permitem abundante produção de cereais, principalmente milho, e em geral, de todos os géneros agrícolas, bem como a criação de gado.
É também um meio industrial e comercial relativamente importante.
Entre as indústrias do concelho das Lages do Pico avultam as seguintes:
Pesca da baleia, que dá ocupação a centenas de pessoas, indústria outrora florescente, mas que, hoje, luta com grandes dificuldades, devido à falta de mercado compensador para os seus produtos, reflexo evidente da crise mundial. Grande fabrico de lacticínios, que são exportados para as Ilhas e Lisboa, em grande escala. Duas moagens de cereais. Brevemente, vai ser inaugurada a iluminação eléctrica da vila e seus arredores, melhoramento importantíssimo devido à patriótica iniciativa de um grupo de lagenses.
O aspecto da vila é deveras atraente, e os seus arredores são encantadores. A noroeste, está a formosa e imponente montanha, que dá o nome à Ilha, admirável pela sua magnificência.
O concelho das Lages do Pico, apesar da sua importância incontestável, há longos anos que foi esquecido pelos Governos, a tal ponto que nem ao menos possui uma estrada que facilite as comunicações das freguesias entre si e com a sede do concelho e portos de mar, sendo ainda hoje utilizados os primitivos e seculares caminhos, quase intransitáveis, do que resulta a impossibilidade das povoações afastadas colocarem os seus produtos, obrigadas a vendê-los por preços mínimos.
No concelho há apenas cerca de 15 quilómetros de estrada, construída há cerca de 25 anos. Os restantes dois concelhos são servidos pela estrada nacional nº 19, em toda a sua extensão.
O porto das Lages, que é muito importante, dando avultado rendimento ao Estado pelo qual faz escala mensal o vapor “Lima”, está em péssimas e perigosas condições por falta de uma verba, relativamente diminuta, para a sua reparação, que há muitos anos vem sendo, baldadamente, solicitada. O mesmo sucede com a muralha destinada a defender a vila do mar, muralha que nunca foi concluída.
De outros melhoramentos, inadiáveis e urgentes, carece o concelho, esses porém mais dependentes da Câmara Municipal.
Mas esta, desde que lhe foram cerceadas as receitas pela supressão do imposto “ad valorem”, ficando a seu cargo as grandes despesas com a instrução primária, nada tem podido fazer, por absoluta carência de recursos, limitando a sua acção a aplicar o imposto braçal na reparação de alguns caminhos.”

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Verde Azul (4)


Castelete.
Sempre.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Outrora (4)


(Fotografia de Paulo Luis Ávila)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Meditar com Álamo (3)



"A mulher e o folião"

"em louvor do divino a mulher
estende um tapete de flores
talvez estrelas vermelhas
colhidas no céu da manhã

“ – são rosas meu senhor!”
e assim o mistério permanece.

ao longe o folião castiga o tambor do tempo.

a massa sovada é a sombra do perfume
os sons da tinta a erva-doce da memória."

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Alfarrabista (22)


Este livro reúne uma série de crónicas que o seu autor publicou, em 1958, no jornal “A Ilha”, em S.Miguel.
À época, causaram brado, tendo levado inclusivamente à demissão do responsável pela Censura em Ponta Delgada.
O título é sugestivo, mas as cinco “desgraças” não eram, afinal, do “Arquipélago” mas da ilha de S.Miguel…visão muitas vezes actual...

Empresa Insulana de Navegação
Porto de Ponta Delgada
União das Fábricas Açorianas de Álcool
Bensaúde & Cª.
O açoriano

Tentando resumir:

A péssima qualidade de transportes oferecida, as fortunas criadas e negociadas no porto da cidade, as negociatas desenvolvidas ao abrigo do álcool e do açúcar, a “Bensaúde” que a tudo acorria e que de tudo beneficiava, e finalmente o simples cidadão açoriano, que a tudo assistia e nada tentava impedir.

Livro polémico, impressiona pela ousadia de Frazão Pacheco (1885 – 1964) em abordar temas tão “sensíveis” em pleno regime salazarista, e até pela “benevolência” do lápis-azul que lhe custaria o lugar.

Sábado, Outubro 10, 2009

Crónico


Digo e repito que Portugal trata mal os seus maiores.
A esmagadora maioria enquanto vivos, mas outros há, que mesmo mortos, não mereceram o devido respeito.
Teófilo Braga é, apenas, mais um exemplo.
Vale a pena ler a indignação do repórter que, em 1929, fez a notícia do leilão da casa do grande vulto açoriano.


(Revista ABC de 1929)

Domingo, Outubro 04, 2009

Única!

"Ao contrário das candeias de ferro usuais na sociedade tradicional do Pico, a lâmpada que temos vindo a estudar não tem qualquer dispositivo de suspensão, mas foi dotada de um pé com base de apoio e, por isso, a incluímos na categoria das lâmpadas de pousar (candeeiros), de que se conhecem inúmeras variantes.
Na execução desta lâmpada rompe-se inovadoramente com as técnicas e modelos tradicionais. Como teria surgido este novo tipo de luminária? Admitimos que a imagem mental que precedeu a feitura de tal lâmpada tenha sido inspirada na observação de algum exemplar dos característicos candeeiros de azeite de latão feitos no continente e que chegaram a ser usados nalgumas casas do Pico e ilhas vizinhas.
Esta candeia funcionava com azeite de baleia e estava normalmente na cozinha, onde se passava a maior parte da vida doméstica.
Como não podia ser suspensa, pousavam-na num suporte especializado em madeira, o mancebo."


Fotografia e texto retirados, com a devida vénia, de:
"Sobre uma lâmpada tradicional da Ilha do Pico"
Rui de Sousa Martins
1986

01 Montanha do meu...